Não é preciso seguir à risca a antiga música de Roberto Carlos e querer ter um milhão de amigos. Se você tiver ao menos cinco com os quais possa compartilhar algumas horas durante a semana, cara a car
Essa é uma das principais mensagens da edição do South by Southwest (SXSW) 2025, realizado em Austin (EUA). Curioso notar que em um evento que tradicionalmente celebra a inovação tecnológica o foco tenha sido a essência das conexões humanas em meio à crescente digitalização da vida.
Kasley Killam, especialista em conexões humanas e palestrante de abertura do SXSW, trouxe dados alarmantes: mais de 1 bilhão de pessoas no mundo se sentem solitárias, segundo pesquisa Meta-Gallup em 1 bilhão de pessoas no mundo se sentem solitárias, segundo pesquisa Meta-Gallup em 140 países.
E o declínio nas interações presenciais é brutal: hoje, passamos 24 horas a mais sozinhos e 20 horas a menos com amigos por mês do que há duas décadas. Lares unipessoais mais que dobraram desde 1960, e 12% dos americanos não têm amigos próximos – em 1990, eram 3%, nos EUA.
Ter com quem contar
No mundo corporativo, esse sentimento de solidão tem um preço elevado, para empresas e pessoas. Sem alguém com quem contar nos bons e maus momentos, o sentimento de pertencer a um time ou à própria organização vai minguando.
Um levantamento da Cigna apontou que cada trabalhador desconectado custa ao seu empregador uma média de quase US$ 4.200 por ano em dias perdidos e perda de produtividade, também nos EUA. Trabalhadores solitários frequentemente pensam em pedir demissão e têm quase o dobro de probabilidade de estar procurando um novo emprego.
E não apenas isso: a Gallup perguntou a mais de 15 milhões de pessoas ao redor do mundo se elas tinham um melhor amigo no trabalho. Uma em cada três disse que sim. E as que tinham esse laço possuíam sete vezes mais probabilidade de estarem engajadas, produzirem trabalho de maior qualidade e relatarem maior bem-estar do que pessoas que não tinham um melhor amigo no trabalho.
Em uma pesquisa longitudinal com 5.000 adultos acima de 50 anos, Killam descobriu que indivíduos com redes sociais diversificadas (incluindo amigos, familiares e colegas de trabalho) tinham 20% menos risco de mortalidade precoce em comparação com aqueles que mantinham círculos restritos.
O estudo, financiado pela OMS, destaca que a variedade de relações, não apenas a quantidade, é crucial para a saúde a longo prazo.